Testemonho de um estudante preso e extorquido

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Testemonho de um estudante preso e extorquido

Sou estudante, não quero dar o meu nome porque a polícia tem todos os meus dados e temo pela minha segurança e da minha familia.

Fui um dos presos em Zaragoza durante os protestos, no dia 20 de Novembro, quando saí pra as ruas para protestar pela aparição com vida dos colegas normalistas de Ayotzinapa.

O que vou contar começou por volta de uma e meia ou duas da tarde. Fui preso na Avenida Ignacio Zaragoza, da Cidade do México.

Ia andando com un grupo de estudantes e, sem me dar conta, um policial foi para cima de mim (aparentemente o chefe dos policiais, segundo disse o policial que me manteve preso depois)

Foram pra cima de mim, primeiro um, depois outro. Não tive nem chance de correr, eles me jogaram no chão (meus óculos cairam e acabei perdendo), chegaram mais policiais e começaram a me chutar na cabeça, nas pernas, nas nádegas e no corpo todo. Eu não opûs nenhuma resistência.

Então, me dei conta que chegou outro policial e acalmou os colegas dele, daí eles meio que pararam, com exceção de um par de policiais que continuavam a me chutar na cabeça. Nesse momento discutiram entre eles e deixaram de bater em mim.

Me pegaram e me levaram para uma patrulha, um policial enfiou a mão no meu bolso pra pegar meu celular e o roubou. Uma vez na patrulha me revistaram e tiraram minha carteira. Roubaram mais $150 pesos que levava, tiraram a minha mochila de mim e anotaram os dados pessoais que copiaram da minha identidade e outros cartões da minha carteira.

Aí, começaram a me ameaçar e a dar socos nas minhas costelas e cabeça. Eu não opunha ressistência pois vi que não tinha nenhuma chance aí, eram três policiais dentro da patrulha e podia escutar outros do lado de fora que também batiam em mim.

Vi os policias colocando gasolina, petardos, e luvas nos meus pertences, e disseram-me que agora tava encrencado, pois acabava de queimar um caminhão de RTP,  e eu era o ~unico com combustível na mochila, segundo eles.  A única coisa que tinha na mochila, na verdade, era uma garrafa d’água de 1.5lts e o meu casaco.

Tiveram-me na patrulha durante pouco mais de duas horas, com as mesmas ameaças, dizendo que a fiança era de 26 mil pesos, que seriam 4 anos de prisão no Reclusorio Norte se me levavam pra delegacia, onde o juíz me mandaria direto pro Reclusorio.

Pediram o numero de telefone de algum familiar para lhe informar aonde eu seria levado. Uma vez que entraram em contato com a minha familia pediram-lhes 9000 pesos, e que chegaram logo ou me levariam para a delegacia. Logicamente, minha família levou um susto e deu o dinheiro que pediram. Eles disseram que tinhamos queimado um caminhão RTP, que tinhamos petardos e bombas.

Não sei quanto tempo fiquei na patrulha, mas no final eles me deixaram ir. Disseram que tinham feito um vídeo de mim e que a gente veria quantos anos eu iria pra cadeia.

Cheguei em casa às 20hs. Estou batido e moído, mas livre.

Obrigado por tudo.

Fuente http://comitecerezo.org/spip.php?article1962

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